Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

Conferência de homenagem a Dominique Venner


Intervenções:
Duarte Branquinho - "Uma vida de combatente"
Humberto Nuno de Oliveira - "Historiador sem amarras"

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

As razões de uma morte voluntária

Esta foi a última mensagem que o escritor e historiador Dominique Venner deixou antes de se suicidar, ontem, na Catedral de Notre-Dame, em Paris.


Estou são de corpo e alma, cheio de amor para com a minha mulher e os meus filhos. Amo a vida e não espero nada para além dela, a não ser a perpetuação da minha raça e do meu espírito. Portanto, na noite da minha vida, perante os imensos perigos para com minha pátria francesa e europeia, sinto-me no dever de agir enquanto ainda tenho forças.

Penso ser necessário sacrificar-me para romper a letargia que nos abate. Ofereço o que ainda resta da minha vida numa intenção de protesto e de fundação. Escolho um lugar altamente simbólico, a catedral Notre Dame de Paris que eu respeito e admiro, edificada pelo génio dos meus antepassados sobre locais de cultos mais antigos, recordando as nossas origens imemoriais.

Enquanto tantos homens são escravos das suas vidas, o meu gesto encarna uma ética da vontade. Entrego-me à morte a fim de despertar as consciências adormecidas. Insurjo-me contra a fatalidade.

Insurjo-me contra os venenos da alma e contra os desejos individuais invasores que destroem as nossas âncoras identitárias, nomeadamente a família, alicerce íntimo da nossa civilização multimilenar. Tal como defendo a identidade de todos os povos em suas casas, insurjo-me também contra o crime que visa a substituição das nossas populações.

Como o discurso dominante não pode sair das suas ambiguidades tóxicas, cabe aos europeus tirar as suas conclusões. Não havendo uma religião identitária à qual nos possamos amarrar, partilhamos desde Homero uma memória própria, repositório de todos os valores sobre os quais refundaremos o nosso futuro renascimento em ruptura com a metafísica do ilimitado, a fonte nefasta de todos os desvios modernos.

Peço antecipadamente perdão a todos aqueles a quem a minha morte fará sofrer, primeiro à minha mulher, aos meus filhos e netos, bem como aos meus amigos e seguidores. Mas, uma vez esbatido o choque e a dor, não duvido que tanto uns como outros compreenderão o sentido do meu gesto e transformarão o seu sofrimento em orgulho. Desejo que estes se entendam para resistir. Encontrarão nos meus escritos recentes a prefiguração e a explicação do meu gesto.

Para qualquer informação, podem dirigir-se ao meu editor, Pierre-Guillaume de Roux. Ele não estava informado da minha decisão, mas conhece-me há muito tempo.

Dominique Venner

Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Dominique Venner (1935 - 2013)



Dominique Venner, uma das nossas referências maiores, suicidou-se hoje em frente ao altar da Catedral de Notre-Dame. Um sacrifício ritual deste samurai do Ocidente, no altar da Pátria, para "despertar as consciências adormecidas".

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Livro "Grandes Chefes da História de Portugal" apresentado no Porto

Apresentação da obra "Grandes Chefes da História de Portugal" 
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por Dom Manuel Clemente, Bispo do Porto 
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 17 Abril | 17h30 | Sala de Reuniões
Faculdade de Letras da Universidade do Porto 

O Grupo de Investigação Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a Texto Editores têm a honra de convidar V. Ex.ª para a sessão de lançamento do livro "Grandes Chefes da História de Portugal". Contando com a presença da Professora Doutora Maria de Fátima Marinho, Directora da Faculdade de Letras, bem como de Ernesto Castro Leal e José Pedro Zúquete, coordenadores desta obra, a apresentação ficará a cargo de Dom Manuel Clemente, Bispo do Porto e Prémio Pessoa. 

Esta sessão realizar-se-á quarta-feira, dia 17 de Abril, na Sala de Reuniões da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 

No final será servido um Porto de Honra. 

Organização: Grupo de Investigação Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal / Instituto de Filosofia da Universidade do Porto

Mais informações: http://ifilosofia.up.pt/gfmc/?p=activities&a=ver&id=489

(Clicar no convite para ampliar.)

Terça-feira, 2 de Abril de 2013

A obra e o pensamento de Pinharanda Gomes

Ao longo de meio século, Pinharanda Gomes produziu uma obra ímpar, pela sua extensão e qualidade, no domínio da historiografia do pensamento português, como é reconhecido por todos aqueles que se dedicam ao estudo da nossa reflexão filosófica multissecular.
Desde a Introdução à História da Filosofia Portuguesa (1967), dos sete volumes da série Pensamento Português (1969-1993), de A teodiceia portuguesa contemporânea (1974), A filosofia tomista em Portugal (1978) ou dos três volumes da pioneira História da filosofia portuguesa (1981, 1983 e 1991) – em que, pela primeira vez, a contribuição hebraica e árabe para a constituição de uma tradição especulativa autónoma foram consideradas global e sistematicamente –, até ao volume sobre Os Conimbricenses (1992 e 2005), aos estudos dedicados à Escola Portuense (2005) ou à sua valiosa colaboração em diversos volumes da História do Pensamento Filosófico Português (1999-2004), dirigida pelo Professor Doutor Pedro Calafate, a obra historiográfica de Pinharanda Gomes tem-se caracterizado pela seriedade intelectual, pelo rigor hermenêutico, pela lúcida compreensão reflexiva de obras, autores e correntes, pela clareza expositiva e qualidade literária, que fazem dela um marco essencial nos estudos contemporâneos da nossa história filosófica.
Ao mesmo tempo, não deixou Pinharanda Gomes de realizar significativa obra especulativa própria, em livros e ensaios como Exercício da morte (1964), Peregrinação do Absoluto (1965), Teoria do pão e da palavra (1973), Pensamento e movimento (1974) ou Saudade ou do mesmo e do outro (1976).
Por outro lado, são ainda merecedoras de referência a sua continuada contribuição para o estudo da história e da etnografia da sua região natal e os importantes trabalhos que produziu no domínio da história da reflexão teológica portuguesa e da história eclesiástica do nosso país.

Colóquio «A Obra e o Pensamento de Pinharanda Gomes»
9 de Abril – Auditório Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto
14h00 – Sessão de Abertura – Presidida por Maria de Fátima Marinho (Directora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto), José Meirinhos e Maria Celeste Natário.
14h30 – Significado e valor da obra de Pinharanda Gomes – António Braz Teixeira.
15h00 – Entre Filosofia e Teologia
Ângelo Alves – Pinharanda Gomes: na esteira de Leonardo Coimbra, filósofo da liberdade e do amor infinito.
Joaquim Domingues – Um português peregrino.
Jorge Teixeira da Cunha – O pensamento teológico de Pinharanda Gomes.
Miguel Real – Pinharanda Gomes: o peregrino de Deus.
Samuel Dimas – A filosofia teológica de Pinharanda Gomes.
Manuel Cândido Pimentel – Pinharanda Gomes, um pensador religioso.
17h00 – Entre Filosofia e Cultura
Manuel Ferreira Patrício – Sobre o contributo de Pinharanda Gomes para a compreensão da educação portuguesa.
João Bigotte Chorão – Francisco Costa no itinerário de Pinharanda Gomes.
Rodrigo Sobral Cunha – O conhecimento na obra de Pinharanda Gomes.
Rui Lopo – Do exercício da morte ao descobrimento do Homem (para uma definição de cultura).
Renato Epifânio – Da serenidade entre ruínas (a colaboração de Pinharanda Gomes na Nova Águia).
19h00 – Testemunhos e apresentação de obras
Comissão organizadora: Maria Celeste Natário, António Braz Teixeira e Renato Epifânio.
Organização: Instituto de Filosofia da Universidade do Porto e Instituto de Filosofia Luso-Brasileira.

Terça-feira, 19 de Março de 2013

Greve de fome contra a injustiça e a desigualdade



"No dia 25 de Março às 18:00 horas, o Presidente do PNR, José Pinto-Coelho, e o Secretário-Geral, João Pedro Amaral, darão início a uma greve de fome, dando o corpo ao manifesto e empunhando o simbolismo da luta contra as múltiplas formas de injustiça e desigualdade de oportunidades que se vivem no Portugal de hoje."

Terça-feira, 5 de Março de 2013

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

6 de Fevereiro


Quem se lembra, hoje, do 6 de Fevereiro de 1934? Na história oficial é indicado como uma tenebrosa conjura contra a imaculada III República, que os jornais alemães saudaram, dizendo que a aurora do Fascismo despontava em França.
Esquecido, excepto de alguns caturras como eu, o imenso protesto das multidões parisienses contra o escândalo Stavinsky, desarmadas e recebidas a tiro, friamente, pelos guardas móveis – os pretorianos do regime.
É verdade que, nas sucessivas repúblicas, que se sucederam à III, houve escândalos muito maiores e ninguém, democraticamente, mexeu uma palha. Deus louvado!
A recordação dos mortos da Praça da Concórdia esfumou-se no tempo. É um motim reaccionário travado com brandura e serenidade.
Em 6 de Fevereiro de 1945 (não sabemos se a coincidência foi intencional ou não) era fuzilado Robert Brasillach, sob o signo da chamada “Libertação”. O nome e a presença de Brasillach tem os seus fiéis, aqui e ali, apesar de todos os esforços para os apagarem da História. Não figura, evidentemente, nos manuais escolares e bom número das referências – bem limitadas – que lhe fazem é rancorosamente odiento e pejorativo.
Mas a sua lembrança subsiste e, apesar de tudo, há quem o tenha sempre na memória e no coração.
Sou um desses e dos mais humildes. Neste rectângulo, que outrora foi Portugal, jamais olvido o autor de “Six heures à Perdre”. Brasillach foi um escritor que assinou com sangue as suas páginas. Bem sei que uma tal Beauvoir diz que é próprio dos fascistas só se preocuparem como morrem, esquecendo-se dos actos que realizaram.
Certo é que ela fala da coragem de Brasillach que só a podia mostrar assumindo os actos que praticara,
De qualquer forma, Petrarca dissera que “un bel morire tutta una vita onora”. Mas Simone de Beauvoir nada tinha de Petrarca e não passava de um pálido reflexo de Sartre, sem o talento especulativo que ele, pelo menos nas suas primeiras obras, evidenciara, - ao lado de algumas extravagâncias -.
Brasillach foi um excelente romancista, notável poeta mas, sobretudo, um admirável crítico e memorialista extraordinário.
Os seus “Quatre Jeudis” dão-nos um panorama literário excepcional do seu tempo; o estudo sobre Corneille” traz-nos de uma maneira, assombrosamente viva, a presença do grande autor do Cid que tão bem exaltou a Coragem, a Honra e o Dever.
Permita-se que destaque o aspecto de memorialista em que Brasillach nos faz reviver a sua época com uma delicadeza, uma nostalgia e um encanto inultrapassáveis. “Notre Avant-Guerre” é um livro imortal. Quem não o tiver lido jamais terá uma imagem exacta, simultâneamente delicada e firme, dos anos 20 a 39 do século passado.
Fascista não oculta – ao invés – as suas convicções mas nunca se mostra odientamente faccioso.
E fascista continuou a ser até à morte. Já na prisão escrevia: “Je veux… être franc avec le fascisme… sa poèsie extraordinaire est proche de nous, il demeure la verité la plus exaltante du XX siècle celle qui lui donne sa couleur… sa chaleur, son feu merveilleux, c`est ce qui lui appartient. Un champ de jeunesse dans la nuit, l`impression de faire corps avec sa nation, l`inscription à la suit des héros et saints du passé, une fête totalitaire, ce son là les elements de notre âge, c`est, j`en suis sûr, ce que la jeunesse dans vingt ans, oblieuse des tares et des érreures, regardera avec une sombre envie et une nostalgie inguérissable” (1).
E, no mesmo trabalho, ele acentuava, (fazendo suas as palavras de um herói francês da aviação – Fonck – de 1914, também preso por “traição”): “si l`Allemagne est vaincue… elle s`écroulera en donnant au monde une image éternellement sublime”, prosseguindo depois, “il est certain que son durcissement, peut-être fou, a quelque que chose d`heroique et de surhumain devant quoi l`histoire, quoi qu`il arrive, sera obligée de s`incliner”.
Palavras nobilíssimas de quem afrontou a morte sem hesitar. O que ele não pensava é que se em Espanha, em Portugal, na França mesmo, na Itália inclusive e, noutros pontos do globo, ainda há gente que vê com respeito e emoção o combate até ao fim da Germânia vencida mas inquebrantável, quem, oh paradoxo, o desdenha e considera crime nefando é o próprio povo alemão dos nossos dias.
O veneno democrático infectou-lhe o sangue a tal ponto que já nem reconhece o que é grande e glorioso. Ai de nós!
O que um antigo inimigo reconhecia já ele não quer ver.
Não nos perturbe, porém, a sua cegueira e tenhamos sempre presente a lição de Brasillach que soube reconhecer onde estava o verdadeiro valor que os renegados de hoje procuram abafar e até desdenhar.
6 de Fevereiro de 1945! Robert Brasillach: presente, para além da morte.

António José de Brito

(1) – Páginas antes, Brasillach asseverara: “le fascisme, il y a bien longtemps que nous avons pensé que c`étair une poèsie et la poèsie même du XX siècle (avec le communisme sans doute). Il me dis que cela ne peut pas mourir…”
Neste ponto formulo respeitosamente a minha discordância.
Admiro os comunistas que, sob regimes seriamente inimigos, lutam e arriscam a vida. Quanto ao seco evangelho de S. Marx, essa incrítica omelette de materialismo cientista e de dialéctica deturpada, porque incompreendida, não há ponta por onde limpamente se lhe pegue.

Robert Brasillach (31/3/1909 – 6/2/1945)


La Mort en face

"Se tivesse tido vagar, com certeza que escrevia com este título a história dos dias que vivi na cela dos condenados à morte, em Fresnes. Diz-se que não se olha de frente nem para o sol nem para a morte. Mas, por mim, tentei. Nada tenho de estóico e custa muito arrancarmo-nos ao que amamos. Tentei, no entanto, não deixar uma imagem indigna àqueles que me viam ou pensavam em mim.
Os dias, especialmente os derradeiros, foram ricos e plenos. Já não tinha muitas ilusões, sobretudo depois que soube da rejeição do meu pedido de indulto, que, aliás, previ. Terminei o pequeno trabalho sobre Chénier e escrevi ainda alguns poemas. Uma das minhas noites foi má e, de manhã, ainda velava. Mas, nas noites a seguir, dormi muito sossegadamente. Nas três últimas, em todos os serões, reli a narrativa da Paixão em cada um dos quatro Evangelhos. Rezei bastante e era a oração, bem sei, que me dava um sono tranquilo. De manhã, o sacerdote veio trazer-me a comunhão. Pensava com doçura em todos os que amava, em todos aqueles que encontrei na minha vida. Pensava, com desgosto, no desgosto deles. Mas tentava, o mais possível, aceitar."

Robert Brasillach